SETE STARTUPS DE CARROS ELÉTRICOS QUE ESTÃO BALANÇANDO O MERCADO

De vans de entrega a scooters indianas, elas trazem muita inovação para o jogo e atraem cada vez mais investimentos

A eletrificação já é uma realidade - segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), 1% da frota brasileira já é de carros elétricos (leia aqui). No mundo inteiro, startups vêm fazendo suas apostas para conseguir uma fatia do mercado antes que as grandes montadoras e empresas tradicionais do segmento o devorem.

Mobility Now separou 7 empresas para ficar de olho, seja você empresário ou consumidor.
 

1- NIO: ACABOU A ENERGIA? É SÓ TROCAR A BATERIA

A Nio é o braço de mobilidade da Tencent, o conglomerado chinês que tem negócios em praticamente tudo que diz respeito a tecnologia, de estúdios de cinema a jogos de videogame. A organização é tão poderosa que tem valor de mercado superior ao do Facebook, avaliada em US$ 523 bilhões.

Embora ainda esteja à sombra de gigantes como SAIC-GM-Wuling, joint venture da General Motors na China, e Tesla, a Nio conseguiu um crescimento de 113% em 2020 em relação ao ano anterior, vendendo mais de 43 mil carros.

Fundada em 2014, a Nio se destacou no mercado de elétricos por apresentar modelos com baterias retiráveis. Em vez de esperar a bateria recarregar, o motorista só precisa passar numa estação da

 

Nio e trocar a peça por uma cheia de energia. A startup atualmente tem 191 estações em 76 cidades e pretende chegar a 500 estações até o fim deste ano.Outra vantagem desse esquema é que a Nio consegue vender seus modelos com preços mais competitivos ao oferecer a bateria de forma separada. Assim, é possível pagar mais caro pra ter o carro completo ou investir menos pelo veículo e desembolsar uma taxa de aluguel da bateria todo mês. Um terço dos clientes da Nio prefere esse modelo de negócios.E mais: comprando um modelo da Nio, você ganha acesso a um serviço de resgate que vem trocar sua bateria caso seu carro fique zerado no meio do nada.

2- FARADAY FUTURE: ELÉTRICO COM 1.050 CV DE POTÊNCIA

A menina dos olhos das startups americanas ganhou atenção em 2017 quando revelou ao mundo o FF 91, um protótipo de carro elétrico com 600 km de autonomia, absurda potência de 1.050 cv, três motores e a capacidade de ir de 0 a 100 km/h em 2,4 segundos. Segundo a empresa, já há 14 mil encomendas do veículo.

Em 2021, a FF fundiu-se a uma SPAC e a empresa resultante irá abrir seu capital no segundo trimestre. O que é uma SPAC? Trata-se de empresa “casca” que não produz nada e é fundada com o objetivo único de levantar fundos para uma fusão. Quando uma SPAC é criada, geralmente não se sabe com qual empresa ela irá se fundir. Mas isso não é problema para os investidores, pois os profissionais que criam essas empresas geralmente são veteranos do mercado de ações, considerados de confiança. Por isso, uma SPAC é vista como a “empresa do cheque em branco”.

Com a fusão, a FF pretende captar US$ 1 bilhão no mercado de ações e, dessa forma, conseguir cumprir o prazo de entregar o FF 91 a partir da metade de 2022. Também estão na mira os modelos mais modestos, FF 81 e FF 71, planejados para 2023 e 2024 respectivamente.

 

3- OLA ELECTRIC: 10 MILHÕES DE MOTOS POR ANO

A Ola Electric é o braço de mobilidade da indiana Ola, que surgiu operando ridesharing. Em março de 2020, ela comprou a holandesa Etergo, fabricante de scooters elétricas, com o objetivo de entrar no setor.

Como consequência, em março deste ano, a Ola Electric começou a construir em Tamil Nadu a maior fábrica de motos elétricas do mundo, com 200 hectares, 3 mil robôs e dez linhas de produção. Em 2022, a fábrica pretende montar uma moto a cada dois segundos, com uma produção estimada de 10 milhões de unidades no ano. Será 15% da produção mundial total de motos.

O modelo da Ola se chama Appscooter e abriga três baterias, cada uma capaz de fornecer 80 km de autonomia, totalizando 240 km. Também será capaz de ir de 0 a 45 km/h em 3,9 segundos - uma scooter mais veloz do que qualquer outra movida a gasolina. O único problema vai ser o preço: o modelo vai custar € 3.399, o que dá salgados R$ 22.500 pelo câmbio atual.

 

4- RIVIAN: 100 MIL VANS ENCOMENDADAS PELA AMAZON


O ano de 2021 está sendo agitado para a americana Rivian. No segundo semestre, a empresa irá lançar nada menos do que três veículos elétricos: uma picape (R1T), uma SUV (R1S) e uma van. Os dois primeiros modelos, inclusive, prometem performance similar a equivalentes da Land Rovers no off-road, o que é promissor para VEs.

Para abastecer a frota que está construindo, a Rivian também anunciou que irá montar 600 estações de carregamento pelos Estados Unidos. Os carregadores serão exclusivos para o R1T e o R1S. Para efeito de comparação, a rede da Tesla nos EUA atualmente tem mil estações.

A van que está nos planos é fruto de uma parceria com a Amazon para o serviço de entregas Prime. Serão veículos especiais, com autonomia de 240 km, voltados para circular em cidades e carregar pedidos. A Amazon já encomendou 100 mil unidades e planeja ter essas vans circulando em todos os mercados onde atualmente tem veículos a combustão até o fim de 2022.

5- FISKER: PRODUÇÃO À MODA APPLE


A Fisker, com sede nos EUA, assinou um contrato com a Foxconn, fábrica taiwanesa que produz os iPhones para a Apple, para construir seus carros elétricos. A produção deve começar em 2023 e abarcar 250 mil veículos por ano.

Atualmente, a empresa tem dois protótipos de elétricos anunciados: o sedan EMotion e a SUV Ocean. No entanto, um terceiro modelo, ainda sem detalhes anunciados, também deve entrar no esquema. O Ocean, que será lançado em 2022 com preço de US$ 40 mil, será um concorrente direto do Tesla Model Y, com o diferencial de preço (o Tesla sai por US$ 50 mil).

Assim como a Faraday, a Fisker se fundiu a uma SPAC para entrar no mercado de ações este ano. Com isso, garantiu um aporte de US$ 1 bilhão.

 

6- ARRIVAL: MICROFÁBRICAS PARA GARANTIR PRODUÇÃO LOCAL


A britânica Arrival entrou no mapa do mercado em 2020, quando recebeu um investimento de US$ 110 milhões da Hyundai e da Kia. Em vez de veículos de passeio, a startup está focando em ônibus e vans elétricas para empresas de logística.

A produção ainda não começou (as vans começarão a circular nas ruas britânicas este ano em caráter de teste), mas a empresa espera estar faturando US$ 14 bilhões por ano já em 2024 com as vendas dos veículos.

O que chama a atenção na operação da Arrival é o modelo de negócios. A empresa prefere construir “microfábricas” em lugares variados, com linhas de produção voltadas a atender a demanda local e, dessa forma, ter preços competitivos em cada praça. Já há microfábricas da Arrival em Bicester e Oxfordshire, no Reino Unido, e outras duas anunciadas em Rock Hill e West Charlotte (EUA). Cada microfábrica emprega 200 pessoas e consegue produzir 10 mil veículos por ano.

Assim como a Faraday e a Disker, a Arrival também está na lista das empresas abrindo seu capital por meio de fusões com SPACs.

 

7- LUCID MOTORS: MAIS CONCORRÊNCIA PARA A TESLA


Por causa da Covid-19, a previsão de entrega do luxuoso sedan da americana Lucid Motors, o Lucid Air, foi adiada do primeiro para o segundo semestre deste ano. Com o salgado preço de US$ 77 mil (podendo chegar a US$ 160 mil, dependendo do modelo e dos opcionais), o carro será um concorrente direto do Model S da Tesla.

São quatro modelos já anunciados do carro: o Lucid Air Pure, o Touring, o Grand Touring e o Dream Edition. Hoje, já se sabe que suas autonomias serão: 653 km (Touring), 832 km (Grand Touring), 748 km (Dream Edition com rodas aro 21) e 809 km (Dream Edition com rodas aro 19). A autonomia do Pure ainda não foi anunciada.

Os 832 km de autonomia do Grand Touring causaram furor quando isso foi anunciado em 2020, afinal era mais do que os 647 km do Model S Long Range da Tesla. De lá para cá, a Tesla anunciou uma versão atualizada do Model S que vai chegar a 836 km.

Em 2018, a Lucid recebeu um aporte de US$ 1 bilhão de um fundo de investimentos da Arábia Saudita. Como parte do acordo, aceitou em criar uma fábrica no país. O problema é que, devido às características locais, abrir uma fábrica lá pode ter o dobro do custo de operação, segundo as fontes do Wall Street Journal. Vale aguardar pra ver como essa situação vai se resolver.

Fonte: Automotive Business